Nordestina: Câmara ‘engaveta’ projetos de orçamento e serviços básicos correm risco de paralisar; povo protesta
Nordestina, na região sisaleira, vive uma tensão política que pode prejudicar o próprio município. Vereadores da situação acusam os oposicionistas – maioria na Casa – de articular a não votação da Lei Orçamentária Anual (LOA) e do Plano Plurianual. Nesta quarta-feira (24/12), parlamentares aliados à prefeita Eliete Andrade (PSD), junto com moradores, realizaram uma manifestação na porta da Casa Legislativa.
A LOA, na prática, é um instrumento que fixa despesas e receitas para que a Prefeitura trabalhe no ano seguinte, garantindo o funcionamento dos serviços até mais básicos, como educação, saúde e segurança. Já o PPA vai além: é um planejamento estratégico para objetivos, obras e metas do município pelos próximos quatro anos.
“A partir de 1º de janeiro, o município estará travado. A prefeita não pode pagar saúde, educação. Ou seja, os custos da Prefeitura”, diz, ao Região em Pauta, o vereador e ex-presidente da Câmara de Nordestina, Elino da Silva (PSD). Da base da prefeita Eliete, ele acusa o atual presidente do Legislativo, Edvaldo Góes, o Edinho, de “engavetar” os dois projetos, que estariam na mesa diretora desde setembro.
“Ontem, ele [presidente] fez uma festa de encerramento, fechou a Câmara com a LOA e PPA ‘engavetados’. Por conta disso, a população se manifestou”, conta Elino.

Por meio de nota, a presidência da Câmara de Nordestina classificou como “alarmistas” as informações dadas pelos vereadores da base. De acordo com a Casa, decisão judicial proferida neste mês, que destituiu a mesa diretora, bloqueou as contas do Legislativo. Em poucos dias, porém, o vereador Edinho voltou ao comando.
“Não existe decisão legislativa que resulte em fechamento de hospital, interrupção de transporte de pacientes para hemodiálise ou paralisação de políticas públicas. Tais afirmações são inverídicas e irresponsáveis”, sustenta.
Para Elino, a justificativa da presidência não é válida. “Não tem nada a ver uma coisa com a outra […] A Justiça bloqueou as contas por 24 horas, mas já foram desbloqueadas e nós já fomos até pagos [o salário]. O orçamento chegou à Câmara no dia 1º de setembro. O Regimento Interno diz que, assim que o orçamento chega, o presidente tem a obrigação de, na sessão seguinte, pautar. É apresentar para discussão. Na outra sessão, aprovar. Ele ‘engavetou'”, acusa.
Enquanto isso, os moradores da cidade ficam com a incerteza do que pode acontecer em 2026.