Nordestina: vereadores aprovam LOA, travam autonomia da Prefeitura e povo pode sofrer
Vaias, discussão e apreensão política foram a tônica do penúltimo dia do ano, nesta terça-feira (30/12), na Câmara de Nordestina, região sisaleira da Bahia.
Marcada para aprovar dois textos – Lei Orçamentária Anual e Plano Plurianual -, a sessão extraordinária desta terça foi marcada por discussões entre vereadores, pressão de populares e membros do Legislativo saindo do prédio escoltados pela PM.
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No plenário, vereadores da base da prefeita Eliete Andrade (PSD) foram surpreendidos com uma porcentagem de 0% nos recursos da LOA. Na prática, todo e qualquer custo da Prefeitura em 2026 precisará do crivo Legislativo.
Com seis votos a favor, a oposição a Eliete conseguiu passar a pauta – com cinco votos contrários da situação -.
“A partir de 1h, de quinta-feira, a prefeita não vai poder pagar uma conta de luz, não vai poder dar um pirulito a uma criança, sem pedir autorização à Câmara”, disse, ao Região em Pauta, o vereador Elino (PSD).
“Em 40 anos de existência de Nordestina é a primeira vez que um presidente usa de um ato tão irresponsável a ponto de zerar o orçamento e travar a prefeita, sem espaço para ela pagar as contas públicas”, atacou.
No plenário, Lino, como é conhecido, discutiu com o presidente da Casa, Edinho da Lagoa dos Bois. “Cadê sua autoridade como presidente da mesa? Dessa forma, culmina em uma em uma desavença profunda entre nós dois, me restando a lhe chamar de covarde”, alfinetou.
Marcos Araújo, também do PSD, não escondeu a decepção com a votação.
“Saímos decepcionados dessa sessão, porque fomos surpreendidos pela oposição com essas emendas. Uma delas aprova 0% do orçamento anual. A prefeita fica completamente ‘travada’”, explicou.
Araújo também desmentiu rumores nas redes sociais de que parlamentares da base da prefeita estariam, durante o ano e de propósito, faltando às sessões do Legislativo.
“Houve isso nas redes sociais, de que faltamos 40% das sessões. Essa Casa realizou 37 sessões neste ano. Esse vereador não pode estar presente em apenas seis. Ou seja, 16%. Não prejudicou em nada o funcionamento desta casa”, explicou.
O Região em Pauta tentou contato com o presidente Edinho e com demais vereadores que aprovaram o projeto, sem sucesso. Alguns, como o próprio presidente, precisaram sair escoltados e vaiados da Câmara.